A feminização da pobreza esteve escondida durante muito tempo, pois, quando eram analisadas as situações de pobreza ou exclusão social não se incluía a variável de gênero. A dificuldade de acesso à educação, à terra e ao crédito, ou a maior precariedade e vulnerabilidade no mercado de trabalho, são fatores que contribuem ao empobrecimento das mulheres e à afirmação de que “a pobreza tem rosto de mulher”. É preciso dar visibilidade a este fenômeno e entender como o gênero influi no risco de sofrer a pobreza. Ler aqui o artigo de Sonia Herrera, especialista em igualdade de gênero e membro da Área Social de Cristianismo e Justiça.

Escutamos com frequência que “a pobreza tem rosto de mulher”, mas a que se deve isto? Como o gênero influi no risco de sofrer a pobreza? Realmente visualizamos essa realidade? A que nos referimos quando falamos de feminização da pobreza? O que supõe este fenômeno para as mulheres? Aproximemo-nos das respostas.

Na IV Conferencia Mundial sobre a Mulher organizada pelas Nações Unidas em Beijing em 1995, foi aprovado por consenso um documento que servisse de marco para as políticas de igualdade durante duas décadas, mas que na prática ficou sistematicamente ignorado: a Declaração e Plataforma de Ação de Beijing. Nela se evidencia a necessidade de enfrentar em diferentes âmbitos (educação, meio ambiente, economia, comunicação etc.)a relação entre as mulheres e a pobreza. Por sua vez é exigido o compromisso dos estados participantes para "superar a pobreza persistente e crescente que afeta as mulheres”, “favorecer a igualdade no acesso à educação em todos os níveis”, “promover o acesso ao emprego digno e aos âmbitos de decisão sobre sua atividade econômica” ou “erradicar a desigualdade de mulheres e homens na gestão de recursos naturais e na proteção do meio ambiente”, entre outras áreas de ação críticas que têm uma relação direta com o  empobrecimento diferencial das mulheres.

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