Sonho que se sonha só é apenas um sonho. Sonho que se sonha junto se torna realidade, já dizia Raul Seixas. E assim, sonhando juntos é que surgiu a ideia de vivenciar a experiência de Páscoa em Porteirinha, no Norte de Minas, de 23 a 26 de março.
Com a missão de evangelizar, Irmãs Filhas de Jesus e educadores do Colégio Imaculada de Belo Horizonte, da Obra Social São José Operário e de Montes Claros se uniram à Irmã Amônica, residente em Porteirinha e grande referência para a comunidade local, para preparar uma experiência para jovens que vivenciaram a Páscoa Juvenil e se sentiram chamados para o "magis", para um algo a mais.
Na chegada a Porteirinha, na comunidade da Gangorra, tivemos a certeza que nosso Tríduo Pascal seria diferente e único. O local é um exemplo de vida sustentável, construído de maneira ecologicamente correta, mostrando-nos que podemos viver de maneira simples e desprendida. Foi possível perceber a alegria do reencontro, da descoberta, o coração aberto e aquecido de cada participante. A reflexão da noite foi um convite para nos colocarmos junto a Maria, para caminhar com Jesus no caminho da cruz.
Na quinta-feira, foi o dia especial de fazer memória da última ceia de Jesus, quando ele institui a Eucaristia e o sacerdócio, e nos convida ao amor-serviço traduzido em gestos amorosos e concretos. Conhecemos nesse dia instituições que fazem a diferença na cidade, levando vida e dignidade para diversas pessoas da região. Participamos da cerimônia de Lava-pés na Igreja Comunidade da Assunção.
A sexta-feira da paixão, dia de reviver a paixão e morte de Jesus começou bem cedo, com uma via sacra num lugar privilegiado pela natureza, com direito a cachoeira, lembrando-nos do cuidado com a Casa Comum. Dia também para refletir sobre o sentido do dia e do sacramento da Reconciliação. Um dia de silêncio, oração, adoração e partilha da Paixão de Cristo que continua presente em nosso mundo.  Participamos, ainda, na cidade, da celebração da Adoração da Cruz e de encenação da Paixão de Cristo. O momento de partilha foi especial, pois foi ao redor da fogueira.
No sábado, na esperança da ressurreição, acompanhamos o nascer do sol num espetáculo único. Contemplamos a vida que renasce a cada dia. O desejo e a ação foram de espalhar sinais de ressurreição no mercado central de Porteirinha. Lá, jovens, educadores e irmãs espalharam música e alegria. Colhemos do povo sinais de vida. Distribuímos abraços grátis, receita de repelente caseiro, abordamos pessoas para escrever em um cartaz o que seria sinal de ressurreição para elas, recolhemos lixo, fizemos pintura nos rostos de crianças e muito mais.
Na volta à Gangorra, tivemos a celebração da Eucaristia, almoço festivo e logo após, retornamos com o coração agradecido, aquecido e desejoso de sermos pessoas melhores, capazes de semear amor, esperança, alegria, igualdade, fraternidade e fé pelos nossos caminhos. Na mente e no coração, a certeza de que valeu a pena e que o carisma e a missão de Santa Cândida permanecem cada vez mais vivos. Deixamos a gratidão por cada um, cada uma, que possibilitou nosso encontro com alegria, carinho e cuidado.

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